Quando sou triste
26 de maio de 2009
Marcia
Entre uma gargalhada e outra, numa mesa de bar, uma garota que conheço desde os tempos de colégio – e com quem pouco convivo – me perguntou se alguma vez na vida eu já fiquei triste.
A pergunta me espantou tanto que sequer consegui responder de imediato. Percebendo meu embaraço, ela prosseguiu: “sempre te vejo com um sorriso gigantesco no rosto, sempre soltas brincadeiras ou piadas, sempre tens uma palavra para alegrar e espantar qualquer desânimo”. A menina falava aquilo de forma tão positiva, de maneira tão carinhosa, que fiquei com dó não atender suas expectativas e esbocei um sorriso de concordância, daqueles com a boca retorcida.
Mas como sou péssima com mentiras ou omissões e não consigo manter segredos meus, vou logo assumir: eu fico triste, todos os dias, invariavelmente.
Consigo ser feliz e infeliz ao mesmo tempo. Livros e filmes, documentários e notícias, facilmente fazem brotar esses dois sentimentos aqui por dentro. Emoções perceptíveis a olho nu, meu olhar se nubla enquanto meu coração amolece meus lábios. Aliás, para saber de mim procure reparar nos meus olhos, eles não foram feitos para enganar.
Um pai de família que perde os limites da dignidade para sustentar seus filhos. Uma mentira mal contada por quem teme as conseqüências da verdade. Um amigo que parte para um rumo irreversível. Uma criança criada com muito dinheiro e pouco afeto. Um animalzinho mal tratado. Posso estar saltitante caminhando pela rua, mas é só presenciar uma cena que envolva qualquer desses diagnósticos para eu que absorva todo o drama dos outros e os recrie dentro de mim. Sou uma esponja sentimental. E sim: sou muito triste até na minha alegria.
Sou triste também quando o e-mail não chega, assim como o pagamento ou o namorado que prometera me ver no final de semana. Sou jururu quando a gripe me ataca, quando as amídalas trancam minha garganta e não consigo falar. Sou infeliz quando não sou ouvida, não sou amada, não sou amiga de quem confia em mim. Sou borocoxô quando me decepciono com minhas próprias atitudes ou com a falta delas. Sou melancólica no colorido do meu quarto, com as luzes apagadas e o som ligado.
Mas só me vê triste quem consegue me ver sozinha. Para as outras ocasiões é que foram criados os óculos escuros e os sorrisos amarelos.
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1.
Daily |
7 de julho de 2009 às 2:44 PM
Me mata de orgulho!!!!!
Amoo amigaa!!!
=)
2.
viviane |
8 de julho de 2009 às 6:29 PM
marcinha, achei seu blog meio que por acaso. muito legal as coisas que vc escreve.. também gostaria d poder escrever, mas não tenho tanto tempo para isso. ultimamente, tenho me dedicado mais, pois escrevendo eu libero as energias que guardo de um amor frustrado. hehe
parabéns!
3.
Fernanda |
8 de julho de 2009 às 11:27 PM
ahhh posta logo! to loca pra ler!!! beijos
4.
Mariana |
24 de julho de 2009 às 7:05 PM
cara!!! como eu me identifico com isso…. mto bom!! e sempre soriso no rosto q as coisa ficam mais faceis…bjos
5.
Elane |
19 de outubro de 2009 às 7:26 PM
Poxa muito lindo mesmo, vc tah de parabéns
nem me lembro como acehi essa site
+ sempre que posso dou uma lidinha
felicidades
6.
Cristian |
19 de setembro de 2010 às 3:05 PM
muito legal seu texto, me indentifiquei muito com as coisas que você põe em questão,com todas as situação criadas !
gostei muito !
sucesso !
7.
Sandra |
24 de setembro de 2010 às 5:07 PM
Oie
Achei a Comunidade Nada Vale a Minha Paz por intermédio do Orkut de uma amiga e adorei o que li.
Voce escreve de uma forma gostosa e pelo que vi, não fui somente eu que me identifiquei. Pelos comentários, voce atinge várias pessoas.
Parabéns.
8.
Gabriela Rodrigues |
22 de dezembro de 2010 às 12:20 AM
Guria, primeiramente queria lhe parabenizar pelos seus textos. Todos são envolventes e verdadeiros. Me identifico com alguns e especialmente neste que você escreveu. Na verdade eu estava lendo “as minhas características”, rsrsrs Grande abraço!