Arquivo de março 7th, 2010
Eu volto
Antes de eu embarcar para a Austrália minha mãe chorava no aeroporto. Eu entendia, mas acho que ninguém mais. Afinal, eram apenas seis meses. Meio ano que passa antes mesmo que as roupas do armário precisem mudar de estação. Mas eu entendia porque minha mãe me conhece de trás para frente. Sabe bem das minhas viagens de um mês que se transformam em três – e isso desde os meus dez anos de idade. Sabe bem da minha mala sempre pronta para partir. E talvez não mais voltar.
O que minha mãe não sabe – e que eu também não sabia – é o quanto eu amo a minha vida no Brasil. Aqui eu recebo em dólar, conheço pessoas de todo o mundo, divido experiências, realizo sonhos e cresço um pouco mais a cada dia. Posso caminhar em praias paradisíacas ou ir ao Opera House quando eu bem entender. Aqui tenho amigos, tenho carinho, tenho tudo. Quase tudo. A verdade é que nada se compara à maneira com que me sinto quando estou no meu chão, dormindo na minha cama, conversando com minha cachorrinha, comendo comidinha caseira.
E não é só pelo trabalho – que aqui é duro – ou pela falta do conforto das roupas lavadas, das louças limpas e do quarto sempre arrumado que digo que volto logo. É pela falta que me fazem as pessoas com quem convivia. As pessoas que me fazem sentir a pessoa mais amada do mundo a cada momento em que as lembro ou ouço suas vozes pelo telefone.
É o amor que sinto no Brasil que faz esse mundo lindo e imaculado que conheci se tornar tão frio e distante. São elas que me dão a certeza de que por melhor que seja a qualidade de vida e promissoras que sejam as perspectivas, a vida que construímos em mais de vinte anos é o que realmente importa. Cada pessoa que nos ama com sinceridade completa um tantinho insubstituível da gente. E nos fazem sempre voltar para mais.
7 comentários 7 de março de 2010