Arquivo de janeiro 2011
Bem aqui
Deus não nos dá um fardo maior do que o que podemos carregar. É batido, é cliché. Mas é tão consolador. É difícil pensar que Deus vê e escuta de braços cruzados a tudo o que ouço e tenho que vivenciar. É duro acreditar que Ele esteja assistindo parado às tristes cenas de destruição e dor causadas pelas enchentes no sudoeste do Brasil. Olhar por nós e nos proteger não é o Seu papel?
Tenho chorado muito desde que voltei. Meus pais entendem o motivo, só eles, não me arrisco nem a explicar a mais ninguém. Sei que não compreenderiam. Quem não presencia uma dor, quem não a sente, não pode mesmo julgar ou opinar. Minhas lágrimas são só minhas. Estão guardadas aqui dentro desde que me conheço por gente. Já passou da hora de coloca-las para fora e ninguém pode fazer isso por mim.
Por outro lado, as gotas que escorrem pelos meus olhos e encharcam meu rosto parecem tão mesquinhas quando se misturam às que deslizam inevitavelmente enquanto assisto ao noticiário. Lágrimas do machucado de perder tudo. De não só ficar sem os anéis, mas também sem os dedos, sem as bases, e mesmo assim ter que encontrar motivos para começar de novo.
E é aí que sinto bem forte a presença do Todo Poderoso: na hora de recomeçar. É muito fácil se deixar levar pela correnteza que carrega nossas estruturas por água abaixo. É fácil desistir de tudo. Mas é justamente nessa hora que uma luz brilha dentro de nós e nos dá forças que antes nem imaginávamos que tínhamos. É uma ajuda que chega dos lugares mais remotos, um voluntário que se emociona com um simples ‘muito obrigado’ de quem renasceu em suas mãos, uma pessoa que é salva e nos mostra o quanto é bonito viver. É a esperança de sentir que a vida vale a pena.
Se Deus nos entrega um presente de grego não significa que Ele queira que o coloquemos de lado e sigamos vivendo. Pelo contrário. Ele deseja é que seus filhos amadureçam. Ele quer que a gente enfrente as adversidades, que a gente caia, sofra e se machuque muito. Ele quer que a gente levante mais forte e com mais ganas de não desistir jamais.
Adicionar um comentário 17 de janeiro de 2011
Cheguei, chega!
Estou de volta. Não só ao Brasil, mas à minha vida. Ao país vim de mala e cuia há exato um mês. Trouxe comigo uma saudade que não coube na mala e um vontade de abraçar a minha rotina brasileira e enchê-la de beijos – mesmo tendo tido vida de princesa no exterior. À minha realidade? Bem, isso está acontecendo aos poucos.
O problema de estar perto de quem nos viu crescer é que surgem todos os preconceitos e julgamentos tão gostosos e fáceis de evitar há milhares de quilômetros de distância. E de quem nos conhece só de vista então: vem todas as respostas e fofocas que nos dão de graça, sem a gente nem pensar em perguntar ou instigar nadica de nada. E confesso que essa vida real não está sendo muito agradável de encarar.
Tudo parece se encaminhar naturalmente: amigos, entretenimento, trabalho. Voltei gordinha, feliz, com uma auto estima no céu e um bronze de um dourado tão, mas tão lindo que nunca ao menos pensei em ostentar. E o mais importante: saúde nota 10. Os quilinhos a mais eu deixaria na Austrália e não tenho medo ou vergonha alguma de confessar. Mas já decidi: só vou lembrar que eles existem a partir de março, quando o calor de Santa Maria da Boca do Monte não marcar mais a sensação térmica de 50 graus e eu tiver disposição para malhar.
E por mais que eu abstraia este ou outros defeitos sempre vai haver alguém fazendo questão de esfregá-los na minha cara. Entretanto, o curioso é a gravidade dos meus desacertos: meu peso, meu peito grande, meus amigos e minha mania de ser boa moça. E como vim ao mundo com o lado Poliana extremamente evoluído achei isso lindo. Ninguém pode abrir a boca para dizer nada ruim a meu respeito. Nunca fiz mal a uma formiga.
Tudo o que se pode dizer de maldoso sobre mim é tão fútil… Mas faço questão de esclarecer:
1) Se eu estivesse preocupada com o número do meu manequim estaria de dieta.
2) Se eu não gostasse do tamanho do meu peito ou dos meus pneuzinhos faria uma plástica – de graça pelo plano de saúde – e de quebra me submeteria a uma ou várias lipos para aproveitar a anestesia geral. E lógico, não abusaria dos decotes como sempre faço.
3) Amigos são amigos, conhecidos são conhecidos, fofoqueiros são fofoqueiros e desocupados são desocupados. Simples.
4) Se eu não fosse boazinha faria para as pessoas o mesmo que elas fazem para mim. E quem sabe aí elas me respeitariam, não? É, mas nasci com este coração bobo. Desculpa.
Agora, eu me pergunto: em que estas amenidades interferem ou mudam na vida de alguém? Será que minha vida é de extrema importância para a Nação? Portanto, mereço eu um Passaporte Diplomático assim como os filhos do Lula?
Sempre acreditei que inveja é um problema de quem tem. Mas tem uma hora que cansa. E a minha chegou.
Adicionar um comentário 8 de janeiro de 2011