Cheguei, chega!

8 08UTC janeiro 08UTC 2011 Marcia

Estou de volta. Não só ao Brasil, mas à minha vida. Ao país vim de mala e cuia há exato um mês. Trouxe comigo uma saudade que não coube na mala e um vontade de abraçar a minha rotina brasileira e enchê-la de beijos – mesmo tendo tido vida de princesa no exterior. À minha realidade? Bem, isso está acontecendo aos poucos.

O problema de estar perto de quem nos viu crescer é que surgem todos os preconceitos e julgamentos tão gostosos e fáceis de evitar há milhares de quilômetros de distância. E de quem nos conhece só de vista então: vem todas as respostas e fofocas que nos dão de graça, sem a gente nem pensar em perguntar ou instigar nadica de nada. E confesso que essa vida real não está sendo muito agradável de encarar.

Tudo parece se encaminhar naturalmente: amigos, entretenimento, trabalho. Voltei gordinha, feliz, com uma auto estima no céu e um bronze de um dourado tão, mas tão lindo que nunca ao menos pensei em ostentar. E o mais importante: saúde nota 10. Os quilinhos a mais eu deixaria na Austrália e não tenho medo ou vergonha alguma de confessar. Mas já decidi: só vou lembrar que eles existem a partir de março, quando o calor de Santa Maria da Boca do Monte não marcar mais a sensação térmica de 50 graus e eu tiver disposição para malhar.

E por mais que eu abstraia este ou outros defeitos sempre vai haver alguém fazendo questão de esfregá-los na minha cara. Entretanto, o curioso é a gravidade dos meus desacertos: meu peso, meu peito grande, meus amigos e minha mania de ser boa moça. E como vim ao mundo com o lado Poliana extremamente evoluído achei isso lindo. Ninguém pode abrir a boca para dizer nada ruim a meu respeito. Nunca fiz mal a uma formiga.

Tudo o que se pode dizer de maldoso sobre mim é tão fútil… Mas faço questão de esclarecer:

1) Se eu estivesse preocupada com o número do meu manequim estaria de dieta.

2) Se eu não gostasse do tamanho do meu peito ou dos meus pneuzinhos faria uma plástica – de graça pelo plano de saúde – e de quebra me submeteria a uma ou várias lipos para aproveitar a anestesia geral. E lógico, não abusaria dos decotes como sempre faço.

3) Amigos são amigos, conhecidos são conhecidos, fofoqueiros são fofoqueiros e desocupados são desocupados. Simples.

4) Se eu não fosse boazinha faria para as pessoas o mesmo que elas fazem para mim. E quem sabe aí elas me respeitariam, não? É, mas nasci com este coração bobo. Desculpa.

Agora, eu me pergunto: em que estas amenidades interferem ou mudam na vida de alguém? Será que minha vida é de extrema importância para a Nação? Portanto, mereço eu um Passaporte Diplomático assim como os filhos do Lula?

Sempre acreditei que inveja é um problema de quem tem. Mas tem uma hora que cansa. E a minha chegou.

Entry Filed under: Crônicas

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