Como uma miss

O fotógrafo fala que sorrio como uma miss. O professor sugere que escrevo como uma miss. Estou em crise: não tenho qualquer vocação para ostentar faixa ou coroa.

Nenhum dos dois pretendeu me elogiar. Pelo contrário, criticam porque querem que eu seja mais arrojada, mais provocativa, mais irônica. Querem que eu transforme sorrisos em caras e bocas, inocência em olhares e flertes. Insistem em dizer que, sim, sou doce como uma miss, queridinha como uma miss, destemperada como uma miss. Sutilmente me mostram que está faltando alguma coisa. Que coisa?!

Se ao menos eu tivesse alguns centímetros a mais, muitos quilos a menos, um rosto mais harmonioso e a paz mundial como objetivo de vida. Se eu tivesse um brilho especial para arrasar nas passarelas. Mas não. Sou o destrambelho em pessoa. E não me refiro apenas ao lado físico. Falo demais, brinco demais, rio demais. Sou impulsiva, maluca, atrapalhada. Embaraço os outros, vira e mexe estou envergonhada com minhas próprias peripécias. Um caos. Não sou uma miss.

Mas então: o que há de errado? Acho que preciso reler O Pequeno Príncipe.

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2 comentários sobre “Como uma miss

  1. Tenho um amigo que é obcecado na Sandy. Hoje eu tive que me fazer de Sandy para conseguir manter um diálogo com a criatura, mas eu não consegui. Tive que dizer em alto e bom som: “Eu não sou a Sandy &%$#*$!” Uffa, que alívio.

    Ela tem esse jeitinho meigo, essa aparência de miss, mas ninguem sabe como ela é exatamente. Só conhecendo de verdade pra saber.

    Bem vinda de volta 😉

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