Meio termo


Como eu gostaria de descobrir o segredo para encontrar meu equilíbrio. Tenho discernimento para perceber o que é certo ou errado, mas ainda não tenho experiência suficiente para saber a dosagem correta dos meus atos. Ou sou mais ou sou menos. E só eu sei o quanto gostaria de ser o meio termo.

Às vezes sou tão dramática que bastam alguns minutos de teatro para que eu mesma ria das minhas caras, bocas e atitudes exageradas. Confesso que o destino colabora com o lado cômico da minha vida. O mundo está contra mim, todos me odeiam. Saio para espairecer, caminho duas quadras e gasto toda a energia da minha brabeza num tombo digno de vídeo-cassetada. Coloco os óculos escuros, vou dar uma volta disposta a chorar todas as minhas pitangas e encontro uma amiga de infância na primeira esquina. O que me resta? Rir. Além de, é claro, perceber o tamanho do circo que estou armando por motivos que eu posso contornar sem muitas palhaçadas, ou melhor, problemas.

Noutras situações resolvo bancar a garota evoluída, zen, centrada. Fulaninha está tentando me enganar, mais os problemas da faculdade, somando com meu namorado que vai para a balada com os amigos e esquece o celular. Mesmo me remoendo por dentro, finjo que está tudo na maior paz e amor. Divirta-se, boa festa, aproveite, isso é o máximo que consigo pensar ou dizer. Afinal, já não tenho mais idade para ter ciúme ou me sentir injustiçada. Não posso dar esse vexame. Mas o que acontece? Acumulo todas as mágoas e frustrações, sem ao menos as dividir com um amigo ou um papel que seja.

Enquanto não encontro meu tão sonhado equilíbrio, assim fecho meu clico. Guardo as tensões para logo liberá-las em passeios ao ar livre ou tombos estrategicamente encenados no meio da calçada. Por sorte tenho aversão a gritos, chiliques, barracos e afins, caso contrário mal posso imaginar as faíscas que sairiam das minhas conversas. Mas também não há nada mais desagradável do que ficar com os sentimentos entalados na garganta.

Meio termo? Não sei. Às vezes o bom mesmo é extravasar. A questão é encontrar a nossa maneira demonstrar tudo o que sentimos, pensamos e somos. Sem para isso machucar ou agredir alguém e, principalmente, nós mesmos.

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