Personagens cotidianos


Não vou ser jornalista. Não tenho talento nem motivação para exercer a profissão e sei muito bem disso. Mas devo confessar que algumas vezes as sérias brincadeiras de entrevistar exigidas pela faculdade me surpreendem e comovem de forma irreversível.

É impressionante como pessoas que há dez minutos atrás não passam de desconhecidas para nós (e nós para elas) permitem nossa entrada em suas vidas, confidenciam seus medos, suas alegrias, suas impressões sobre este imenso mundo do qual fazemos parte. São depoimentos que muitas vezes não são publicados no corpo final da reportagem, mas que nos tocam a fundo, tornam-se inesquecíveis em suas peculiaridades e nos fazem pensar e repensar o sentido de nossa existência.

O coveiro que diferencia as reações das pessoas em velórios de acordo com suas classes sociais e acredita que os menos abonados são muito mais sinceros em suas emoções, o funcionário do hospital que tem ‘sangue-frio’ para atender os feridos, mas inconforma-se com a crueldade com que alguns tratam seus parentes internados, a senhora que perdeu o pouco que tinha em alguns minutos de temporal e nos recebe com seu abraço mais carinhoso, com seu sorriso mais bonito. São sentimentos transmitidos por gestos inquietos, olhares cintilantes, expressões transparentes. É a vida, o caráter. São os valores de cada um que entram na nossa peneira de pensamentos e nos ajudam a construir os nossos.

Não sei ao certo o quanto vai durar a minha incursão pelo mundo do jornalismo. Sei apenas que vou sentir falta das marias, dos josés, dos tantos personagens da vida que através das pautas que tenho a cumprir entram e saem do meu dia-a-dia, das pessoas que de alguma forma deixam sua marca em mim.

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Um comentário sobre “Personagens cotidianos

  1. É uma pena que não queira ser jornalista, porque talento você com certeza tem para isso … se bem que restringir a tua sensibilidade e o teu texto caprichado em algumas linhas de jornal seria um crime … espero um dia vê-la nas páginas de crônicas das revistas, ou, porque não, nas estantes de livrarias.
    Um abraço!

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