Ausente

A televisão está ligada, o computador conectado, o livro aberto e no som as músicas tocam sucessivamente. Mas nada consegue prender a minha atenção. Eu estou ausente. Estou na rua, na aula, no bar. Na sala, no quarto, na internet. Estou em todos os lugares e não estou nenhum.

O que fazer com isto ou aquilo, o que dizer, escrever ou esperar, aonde ir, quando será. Na falta de respostas para muitas das minhas perguntas, eu me abstenho do mundo que não me dá a clareza que julgo precisar.

Não pense que estou triste ou melancólica. Meus olhos sorriem, mesmo quando eu tento controlar minhas gargalhadas. Meu coração bate forte, mesmo quando eu procuro fingir que ele não está mais no meu peito. E, por mais que tudo aparentemente tome seu rumo certo, eu me perco em meus pensamentos, no universo que crio em meus sonhos.

Penso nas coisas que poderiam ter sido diferentes, nas situações que não me preparei para viver e que agora passam como uma película diante de mim. Um filme no qual tenho que atuar e nem mesmo sei o meu papel, não decorei as minhas falas. Por isso, fico imóvel, não ouso dar um passo sequer, não sei qual caminho seguir. Tenho medo de ir e não encontrar o retorno.

Olho à minha volta. Tudo está como antes, como eu deixei. Os livros espalhados, as caixas, os papéis e as cartas. Pulo na cama, pego a caneta, abro o caderno, rabisco uns desenhos quaisquer e logo foco na televisão. Deito a minha cabeça num amontoado de travesseiros, enrolo-me nas cobertas e fecho os olhos. Não quero pensar em nada.

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