Eu lembro

Não lembro ao certo o dia em que tudo começou ou terminou. Sei apenas que o ciclo se cumpriu e que não há como voltar, mudar ou antecipar nada. E, mesmo que saudade já não seja mais a palavra certa a ser empregada, eu me lembro de tanta coisa.

Lembro de pensar que não são as borboletas que voam pelo estômago que denunciam quando estamos apaixonados, mas sim aquela paz que percorre cada cantinho dos nossos corpos e culmina num sorriso daqueles que vêm da alma. Lembro que não há presente ou lembrança que substitua um simples pedaço de papel rabiscado às pressas e com o coração.

Lembro que olhares apaixonam, sorrisos apaixonam, gargalhadas apaixonam. Mas nada no mundo pode ser mais sexy do que ser autêntico, do que ser simplesmente você. Mesmo que o você em questão seja espevitado, atrapalhado e desastrado como eu. Aliás, lembro do quanto eu me divertia com seu delírio de pensar que qualquer um que conversasse comigo por mais de cinco minutos se apaixonaria por mim.

Lembro da sua loucura em busca daquele livro que eu queria ler, ou daquele outro que você desejava tanto que eu lesse e já estava há tempos esgotado em livrarias, sebos e afins. Eu lembro da vontade, da gana de fazer tudo sempre perfeito, de me fazer feliz – mesmo que a nossa mania de querer tudo para ontem por vezes traísse nossas boas intenções.

Hoje eu lembro de cada detalhe. Sem mágoas, sem ressentimentos, sem saudades. E não quero que você esqueça que eu sempre vou lembrar.

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