Mocinhos e bandidos

Cresci ouvindo estórias de mocinhos e bandidos, de princesas e bruxas, do bem contra o mal. Entretanto, quanto mais o tempo passa mais percebo como é tênue a linha que separa os certos dos errados. A verdade é que somos heróis das nossas próprias fábulas. Mas alguém sabe exatamente seu papel na estória contada pelos outros?

O menino que se apaixona pela namorada do melhor amigo, a garota que ganhou a bolsa de estudos que todos ralaram muito para disputar ou aquela viagem que a turma toda estava doida para ir. Duvido que alguém nunca tenha posado de malvado, mesmo jogando limpo, mesmo sem querer.

E parece fácil condenar quem ‘roubou’ a namorada do fulano ou a oportunidade da vida do outro, como se tudo fosse nada além de mercadoria disponível numa série de prateleiras. O que poucos percebem é que além de coragem para assumir um amor proibido ou alçar vôo para uma nova vida, é preciso caráter. Pelo menos para fazê-lo da melhor forma, que não é precisamente a que vai agradar a todos e sim a mais justa. Engana-se quem pensa que estas decisões não são sofridas. Porém, não é porque eu amo e sou correspondido, ou porque estudei parar tirar a melhor nota que estou passando alguém para trás.

Caráter também é indispensável para quem chega em segundo lugar. É preciso saber aceitar que a vida é composta por vitórias e derrotas, e independente do resultado sair de campo de cabeça erguida. Nem tudo é como imaginamos. E, sem querer posar de conformista, as coisas sempre ficam do melhor jeito para nós. Mesmo que na hora fique complicado de perceber.

Claro que desconsidero totalmente quem faz suas malvadezas em sã consciência. Não sou tão ingênua a ponto de acreditar que tudo são flores e todos são cheios de boas intenções. Se existe terreiro de macumba é porque de fato alguém deve passar por lá. Armas seriam inúteis se ninguém as manuseasse. Todavia, acredito que bons ou ruins todos cometem erros e estão bem longe de ser perfeitos.

Confesso que me assusta a idéia de ser vilã na estorinha dos outros. Mas sei que é algo que inevitavelmente vou encarar. O que não aceito é posar de malvada por intrigas ou golpes baixo. Também é estreita a linha entre quem é mocinho ou bandido, e tem gente que sabe virar esse jogo muito bem.

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2 comentários sobre “Mocinhos e bandidos

  1. Opa, tava sem sono e fui ler teu blog e essa crônica tua me instigou a comentar. Seguinte, é consenso que certo e errado, bem e mal são coisas totalmente relativas a cada pessoa. Porém, em termos gerais, eu considero fazer o bem todas atitudes altruístas e fazer o mal todas atitudes egoístas. Por exemplo, quando se rouba ou doa algo, nas duas situações vc está mais preocupado com a pessoa que ganha do que com a que perde. Partindo desse princípio, ajudar uma pessoa talvez não seja necessariamente uma ação boa, pois deve-se considerar em quem estava a pessoa que prestou ajuda estava pensando, se era na pessoa que precisava, ou se era nela mesma (por causa de seu ego, para se destacar, para ser reconhecido, etc).
    Bom, era isso, agora veio o sono. Obrigado pela ajuda com a insônia :-).

  2. Corrigindo a penúltima frase:

    Partindo desse princípio, ajudar uma pessoa talvez não seja necessariamente uma ação boa, pois deve-se considerar em quem a pessoa que prestou ajuda estava pensando, se era na pessoa que precisava, ou se era nela mesma (por causa de seu ego, para se destacar, para ser reconhecido, etc).

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