Ciumenta

Eu sou ciumenta. Antes de virar as costas ou pular para a próxima crônica, espere: essa é uma revelação surpreendente. Quando o assunto sou eu, ao menos.

Desde que me conheço por gente sou toda garotona quando o assunto é namorado, ficante ou afim. Nunca fui a mais bonita, nem a mais querida, engraçada ou inteligente. Sou do time meio termo. Nunca fui rainha do colégio nem estrela do time de ginástica ou futebol. Mesmo assim a auto estima costuma estar lá em cima. Com os valores deturpados do mundo de hoje, meninas que não se expõem e passam longe de intrigas e fofoquinhas são raras. E disso eu sei que os meninos sabem bem.

A minha era adolescente já passou. Com ela foram os traumas e as inseguranças. Meus olhinhos brilham na hora de colocar um biquíni e ir para praia ou tomar um solzinho. Não ligo se a barriguinha está saliente ou se vão encontrar algum furinho de celulite. As chances de eu dar um chilique antes de ir para uma festa porque estou gorda ou não tenho roupa também são praticamente zero. Aprendi a valorizar o que há de bonito em mim mesmo que a balança aponte vários quilos a mais do que eu gostaria ou uma espinha resolva se apresentar justo no fim de semana. Sei que tudo que um petit pode conseguir é borrar a maquiagem e acabar com a noite.

Também sou contra namorados que se isolam do resto do mundo. Nada de agito ou junção com os amigos é o fim. Eu gosto de quem confia em mim. De quem sabe que posso sair, dançar, rir muito com as minhas amigas e chegar sã e salva em casa. De quem não precisa me ligar de cinco em cinco minutos para saber se estou comportadinha como ele espera. De quem não me acusa de mil e uma coisas só porque não atendi ao celular.

Mas experimente colocar toda a minha auto-suficiência à prova num namoro. Fico horas escolhendo a roupa que me deixa mais magra, quero conhecer os amigos e me arrepio só de pensar que ele pode estar justo com aquele que é mais saidinho, detesto quando ligo e o celular está desligado, belisco o braço quando ele estica os olhos para a bonitona que passou. E o pior: faço bico e encho os olhos de lágrimas quando alguma coisa me incomoda ou me sinto insegura.

Não sou ciumenta quando não envolvo. Quando não retorno a ligação de quem não cansa de me ligar, quando fico com quem não sai da minha volta. Quando eu gosto de verdade sou como qualquer mortal. E me mordo de ciúme.

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