O casamenteiro

Meu tio chegou da missa me trazendo um pãozinho que dizia ser bento. Era um dia de homenagens a Santo Antonio e come-lo era como uma promessa de sorte nos futuros enlaces. Ele me assegurou.

Puxei uma migalha e mastiguei sem vontade. Era tão duro que só poderia ser pão dormido. Como estava com fome e sem pretensão alguma de fazer uma desfeita ao casamenteiro, corri para a cozinha, recheei o pãozinho com queijo e coloquei para tostar.

Logo que acabei de me deliciar minha irmã me advertiu: o Santo poderia encarar aquilo como uma ofensa e não colocar nem por decreto um pretendente no meu caminho. Comer o pão seco e a seco era o que eu deveria ter feito. Um belo romance valeria o sacrifício.

Nunca fiz simpatia para Santo Antonio. Nunca fiz um pedido sequer. Não que eu não acredite no poder de suas benções. Pelo contrário, sei de muita gente que juntou os trapos e colocou até imagem do Santo no quarto. O problema é que eu não sou como a maioria. Talvez por isso eu esteja solteira (e serelepe) por algum tempo. Talvez por medo de deixar de ser eu mesma quando o tal pretendente chegar.

Brincar com as simpatias de Santo Antonio é uma forma de proteger o meu jeitinho do mundo. Além de que, é claro, se o pãozinho fosse mesmo me ajudar em alguma coisa certamente não seria de ontem.

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2 comentários sobre “O casamenteiro

  1. Olá!

    Sempre que posso estou por aqui lendo seus textos. Te acompanho desde o blogspot e lhe digo que vc tem o dom de escrever. Me identifico muito com seus textos.

    Que vc continue assim!
    Beijos!
    Luh

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