Eu volto

Antes de eu embarcar para a Austrália minha mãe chorava no aeroporto. Eu entendia, mas acho que ninguém mais. Afinal, eram apenas seis meses. Meio ano que passa antes mesmo que as roupas do armário precisem mudar de estação. Mas eu entendia porque minha mãe me conhece de trás para frente. Sabe bem das minhas viagens de um mês que se transformam em três – e isso desde os meus dez anos de idade. Sabe bem da minha mala sempre pronta para partir. E talvez não mais voltar.

O que minha mãe não sabe – e que eu também não sabia – é o quanto eu amo a minha vida no Brasil. Aqui eu recebo em dólar, conheço pessoas de todo o mundo, divido experiências, realizo sonhos e cresço um pouco mais a cada dia. Posso caminhar em praias paradisíacas ou ir ao Opera House quando eu bem entender. Aqui tenho amigos, tenho carinho, tenho tudo. Quase tudo. A verdade é que nada se compara à maneira com que me sinto quando estou no meu chão, dormindo na minha cama, conversando com minha cachorrinha, comendo comidinha caseira.

E não é só pelo trabalho – que aqui é duro – ou pela falta do conforto das roupas lavadas, das louças limpas e do quarto sempre arrumado que digo que volto logo. É pela falta que me fazem as pessoas com quem convivia. As pessoas que me fazem sentir a pessoa mais amada do mundo a cada momento em que as lembro ou ouço suas vozes pelo telefone.

É o amor que sinto no Brasil que faz esse mundo lindo e imaculado que conheci se tornar tão frio e distante. São elas que me dão a certeza de que por melhor que seja a qualidade de vida e promissoras que sejam as perspectivas, a vida que construímos em mais de vinte anos é o que realmente importa. Cada pessoa que nos ama com sinceridade completa um tantinho insubstituível da gente. E nos fazem sempre voltar para mais.

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7 comentários sobre “Eu volto

  1. DEUS ME CONCEDEU O PRIVILÉGIO DE FAZER PARTE DA COMUNIDADE: QUERO PAZ PRO MEU CORAÇÃO E É CLARO ENCONTRAR SUA PÁGINA NA WEB. OLHA! EU GOSTEI MUITO DE VOCÊ. UMA COISA QUE APRENDI NESTA VIDA FOI DE NÃO PERDEMOS A OPORTUNIDADE DE DIZERMOS ÀS PESSOAS O QUANTO ELAS SÃO IMPORTANTES E PRECIOSAS. FICA COM DEUS E MUITA PAZ LUZ E HARMONIA NO SEU CORAÇÃO.

  2. Oi, Marcinha! Muito bom o seu blog! Esse texto me faz valorizar a minha família e td que tenho na vida… muitas vezes reclamamos e nos esquecemos que temos tudo c nossas famílias vivendo aqui no Brasil! Obrigada pelas suas palavras!

  3. Oi!
    Gosto muito de seus textos e com este, em especial, me identifiquei muito.
    Quando viajei para o exterior minha mãe teve a mesma reação. Chorava descontroladamente por medo de que eu não retornasse. POis ela também me conhecia muito e sabia o quao desapegada eu sou, o quanto não penso duas vezes em ir para bem longe quando surge uma oportunidade.
    Assim como voc~e, descobri que gosto mesmo é do Brasil e que eu queria voltar e continuar por aqui.
    Adorei ler este texto, me trouxe várias lembranças. e hoje estou no Brasil.
    Beijos e boa sorte por aí.
    🙂

  4. ola “marcinha”, meu nome é debora tenho 16 anos , achei muito incrivel seu blog ,vc concegue se expressar de uma forma explendida , adoro isso , achei seu blog por acaso em uma comunidade no orkut , vc é jornalista mesmo ?? é pq admiro muito essa profissao , so q aqui no interior é muito dificil trabalhar nessa area pois ganham pouco e nao da muito ” futuro “!!!

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