Bem aqui

Deus não nos dá um fardo maior do que o que podemos carregar. É batido, é cliché. Mas é tão consolador. É difícil pensar que Deus vê e escuta de braços cruzados a tudo o que ouço e tenho que vivenciar. É duro acreditar que Ele esteja assistindo parado às tristes cenas de destruição e dor causadas pelas enchentes no sudoeste do Brasil. Olhar por nós e nos proteger não é o Seu papel?

Tenho chorado muito desde que voltei. Meus pais entendem o motivo, só eles, não me arrisco nem a explicar a mais ninguém. Sei que não compreenderiam. Quem não presencia uma dor, quem não a sente, não pode mesmo julgar ou opinar. Minhas lágrimas são só minhas. Estão guardadas aqui dentro desde que me conheço por gente. Já passou da hora de coloca-las para fora e ninguém pode fazer isso por mim.

Por outro lado, as gotas que escorrem pelos meus olhos e encharcam meu rosto parecem tão mesquinhas quando se misturam às que deslizam inevitavelmente enquanto assisto ao noticiário. Lágrimas do machucado de perder tudo. De não só ficar sem os anéis, mas também sem os dedos, sem as bases, e mesmo assim ter que encontrar motivos para começar de novo.

E é aí que sinto bem forte a presença do Todo Poderoso: na hora de recomeçar. É muito fácil se deixar levar pela correnteza que carrega nossas estruturas por água abaixo. É fácil desistir de tudo. Mas é justamente nessa hora que uma luz brilha dentro de nós e nos dá forças que antes nem imaginávamos que tínhamos. É uma ajuda que chega dos lugares mais remotos, um voluntário que se emociona com um simples ‘muito obrigado’ de quem renasceu em suas mãos, uma pessoa que é salva e nos mostra o quanto é bonito viver. É a esperança de sentir que a vida vale a pena.

Se Deus nos entrega um presente de grego não significa que Ele queira que o coloquemos de lado e sigamos vivendo. Pelo contrário. Ele deseja é que seus filhos amadureçam. Ele quer que a gente enfrente as adversidades, que a gente caia, sofra e se machuque muito. Ele quer que a gente levante mais forte e com mais ganas de não desistir jamais.

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5 comentários sobre “Bem aqui

  1. Sinto o mesmo que você, choro, sinto uma tristeza profunda..Moro tão longe, me sinto meio impotente. Mas acredito tudo que nada acontece por acaso, por experiência própria, tudo tem um motivo. Por mais difícil e as vezes incompreencível que pareça. Beijos.

  2. Olá…encontrei seu blog por acaso, coloquei “marcinha” no google para ver o que teria ligado ao meu apelido, que por acaso é o seu tbm, comecei a ler e achei muito interessante, vc é muito expressiva…Parabéns!
    bjs

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